terça-feira, 27 de março de 2012

a distância: I *

É sempre tão difícil ver alguém partir. Custa saber que ontem eramos tudo e hoje baseamo-nos a nada. Dói pegar no álbum das nossas fotografias e ver quase 3 anos a morrerem por entre as mãos. É tudo lembrança, meras memórias que se vão tornando cada vez menos nítidas; Imagens fragmentadas de uma amizade que durou anos, quase 3 anos. Tu viste-me crescer, tu aprendeste comigo, eu ensinei-te o que é a vida e tu mostraste-me o que é lutar nela. Tinhas os teus defeitos e eu os meus, ambas os reconhecíamos mas também nos compreendíamos tão bem no nosso pequeno mundo que, aos poucos e poucos, fomos construindo. E agora, estou aqui, sentada na varanda de casa, enquanto vejo o sol a desaparecer no horizonte. Ainda te lembras de quando o faziamos juntas ? Acho que sim ... afinal de contas, nunca te esqueceste da tua “companheira”. Já não sei muito do que é feito de ti quando eras tu quem me acompanhava todos os dias. Muito certamente não lerás este texto que te escrevo mas, caso o faças, quero que saibas que também penso em ti. Agora, não defino destinos traçados pelas mesmas linhas porque ambas mudámos. Também sei que as diferenças que faziam com que nós nos completassemos, hoje fazem com que nos afastemos. Eu estou bastante mudada e, muito certamente, já não reconhecerias quem eu me tenho tornado e tu, muito provavelmente, também o estás. Um dia, sei que prometemos juntar as nossas vidas, ambas em « varredoras de rua », a viver na mesma cidade, rodeadas pelos amores de sempre. E, por muito longe que eu esteja de ti, espero que, um dia, isso venha a acontecer e que alimentes a tua felicidade ao lado de quem te quer bem. Quanto ao presente, sei que estou prestes a perder-te, que sinto a tua falta mas não consigo viver sem ti. Quem sabe, um dia, tudo volte ao que era e reconstruiremos a nossa amizade de novo porque, afinal de contas, tu eras uma parte de mim, eras a minha « companheira ».

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