
Más companhias não existem, cada um faz aquilo que quer.
É sempre tão difícil ver alguém partir. Custa saber que ontem
eramos tudo e hoje baseamo-nos a nada. Dói pegar no álbum das nossas
fotografias e ver quase 3 anos a morrerem por entre as mãos. É tudo lembrança,
meras memórias que se vão tornando cada vez menos nítidas; Imagens fragmentadas
de uma amizade que durou anos, quase 3 anos. Tu viste-me crescer, tu aprendeste
comigo, eu ensinei-te o que é a vida e tu mostraste-me o que é lutar nela.
Tinhas os teus defeitos e eu os meus, ambas os reconhecíamos mas também nos
compreendíamos tão bem no nosso pequeno mundo que, aos poucos e poucos, fomos
construindo. E agora, estou aqui, sentada na varanda de casa, enquanto vejo o
sol a desaparecer no horizonte. Ainda te lembras de quando o faziamos juntas ?
Acho que sim ... afinal de contas, nunca te esqueceste da tua “companheira”. Já não sei muito do que é feito de ti quando eras tu quem me
acompanhava todos os dias. Muito certamente não lerás este texto que te escrevo
mas, caso o faças, quero que saibas que também penso em ti. Agora, não defino
destinos traçados pelas mesmas linhas porque ambas mudámos. Também sei que as
diferenças que faziam com que nós nos completassemos, hoje fazem com que nos
afastemos. Eu estou bastante mudada e, muito certamente, já não reconhecerias
quem eu me tenho tornado e tu, muito provavelmente, também o estás. Um dia, sei
que prometemos juntar as nossas vidas, ambas em « varredoras de rua », a viver
na mesma cidade, rodeadas pelos amores de sempre. E, por muito longe que eu
esteja de ti, espero que, um dia, isso venha a acontecer e que alimentes a tua
felicidade ao lado de quem te quer bem. Quanto ao presente, sei que estou
prestes a perder-te, que sinto a tua falta mas não consigo viver sem ti. Quem
sabe, um dia, tudo volte ao que era e reconstruiremos a nossa amizade de novo
porque, afinal de contas, tu eras uma parte de mim, eras a minha « companheira
».



